Francina Armengol, apoiada por Pedro Sánchez, é a nova presidente do Congresso dos Deputados, com apoio de esquerda e nacionalistas


Francina Armengol é a nova presidente do Congresso dos Deputados espanhol. Eleita à primeira volta na sessão inaugural da legislatura, a socialista recebeu 178 votos, dois a mais do que a maioria absoluta.

Antiga presidente do governo regional das ilhas Baleares, Armengol foi apoiada pelo seu Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, centro-esquerda, do primeiro-ministro Pedro Sánchez, com 121 deputados), a que se juntaram a frente de esquerda radical Somar (31), Esquerda Republicana da Catalunha (independentista, 7), Juntos pela Catalunha (independentista, 7), Euskal Herria Bildu (nacionalistas radicais bascos outrora braço político do grupo terrorista ETA, 6), Partido Nacionalista Basco (moderado, 6) e Bloco Nacionalista Galego (1).

O Partido Popular (PP, centro-direita), o mais votado nas eleições legislativas antecipadas de 23 de julho, propôs para o cargo Cuca Gamarra, que não foi além dos 139 votos (137 do seu partido, e os deputados únicos da Coligação Canária e da União do Povo Navarro). Já o Vox (extrema-direita) fez avançar Ignacio Gil Lázaro, que obteve apenas os 33 votos da sua bancada parlamentar.

A votação dá a Sánchez razão para esperança numa investidura como primeiro-ministro para mais um mandato. O socialista precisa do apoio (voto a favor) das forças que ajudaram a eleger Armengol para alcançar esse objetivo.

O mais difícil é o Juntos pela Catalunha, cujas exigências de amnistia para os envolvidos na tentativa de secessão de 2017 (incluindo o seu líder e ex-presidente da região, Carles Puigdemont) e referendo de autodeterminação são inconstitucionais.

Para o Juntos e a ERC apoiarem Armengol, valeu a promessa de promover o uso das línguas co-oficiais de Espanha no Parlamento, a par do castelhano, e de investigar o caso Pegasus de espionagem indevida a políticos catalães.

PP domina o Senado

No Senado, câmara alta das Cortes Gerais, Pedro Rollán (PP) não teve dificuldade em ser eleito presidente. Os populares têm maioria absoluta, pelo que foi o único candidato a receber votos, em número de 142. Houve três para Ángel-Pelayo Gordillo, do Vox, e 114 votos e branco.

Só participaram na votação 259 dos 266 senadores. Destes, 208 são eleitos diretamente (foram-no a 23 de julho) e 58 designados pelos parlamentos das regiões espanholas. Faltam sete, a indicar pelas comunidades de Múrcia, Aragão, Astúrias, La Rioja e Navarra.

O facto de na câmara baixa (Congresso dos Deputados) PP e Vox terem apresentado candidaturas diferentes denota o afastamento entre dois partidos que sonharam governar após as legislativas do mês passado.

Ao constatar que não teria a presidência do Congresso, o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, decidiu não fazer um acordo com a extrema-direita, que garantiria a esta última uma vice-presidência da mesa. Assim, o Vox avançou sozinho, o PP também, e o resultado é que as quatro vice-presidências do Congresso são distribuídas da seguinte forma: duas para o PP, uma para o PSOE (além da presidência) e uma para o Somar.

Esta distribuição repete-se nos quatro secretários da mesa do Congresso. Ou seja, o Vox, sendo a terceira força nas legislativas, não consegue representação na mesa.



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