Javier Milei. Quem é o extremista que venceu as primárias na Argentina?


Com mais de 30% dos votos nas primárias das eleições presidenciais na Argentina, o nome de Javier Milei passou a ser reconhecido do dia para a noite. O líder de um movimento de extrema-direita foi mais votado que peronistas e antiperonistas, criando o que a imprensa local chama de “terramoto político”.

Nas eleições PASO (Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias), todos os eleitores votam para escolher o candidato de cada partido – ao contrário do habitual, em que apenas os membros de cada partido podem votar no candidato que preferem.

Milei não tinha oposição interna na coligação “A Liberdade Avança”, mas o nome dele, como de todos os pré-candidatos, estava nos boletins de voto. Com mais de sete milhões de votos, acabou por ser o mais votado em 16 províncias e a conquistar o favoritismo para vencer as eleições presidenciais de 22 de outubro.

O que propõe Javier Milei?

Com uma inflação acima de 115%, um em cada quatro argentinos vive na pobreza e a moeda nacional, o peso, caiu de tal forma que os adeptos de futebol dos outros países da América do Sul têm rasgado notas de peso para provocar os adversários argentinos.

Nesse contexto, para além de atacar ferozmente os líderes dos partidos estabelecidos – Juntos pela Mudança e Unidos pela Pátria -, Javier Milei tem feito propostas que vão desde eliminar o Banco Central da República Argentina para acabar com a inflação, a relaxar as leis de posse de arma, fazendo lembrar o ex-Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

O líder d’A Liberdade Avança diz, após a vitória, que está pronto para governar já, e tem o objetivo de substituir o peso pelo dólar dos Estados Unidos da América. Milei quer ainda privatizar as produções agrícolas que têm prejuízo.

O candidato para conseguir reduzir a despesa pública em 15%, quer levar a cabo uma reorganização do Estado para “aumentar a eficiência” e reduzir os custos. Isso deverá ser conseguido com a transição dos sistemas de saúde e educação para a esfera privada, a eliminação dos subsídios à energia e das restrições de câmbio da moeda.

Milei também propõe eliminar impostos e levar a cabo uma reforma laboral, em que o subsídio de desemprego passa a ser pago por seguros. Outra intenção é seguir a experiência chilena e cortar as restrições às importações e exportações.

Em contraponto, faz parte do programa político a criação do Ministério do Capital Humano – que juntará os ministérios da Educação, Saúde e Segurança Social -, para ajudar a eliminar a desigualdade de oportunidades.

Da propriedade do corpo à força das autoridades

Autodeclarado “anarco-capitalista”, Javier Milei também se declara como opositor do aborto – com a exceção dos casos em que a vida da mãe está em risco -, e fez a promessa de “proteger as vidas das crianças desde a conceção”.

Milei considera que a educação sexual nas escolas é uma conspiração para destruir a “família tradicional” e nega a existência do aquecimento global, que diz ser uma “mentira do socialismo” e uma ideia da esquerda radical e do “marxismo cultural”.

O líder d’A Liberdade Avança defende, inclusive, que a compra e venda de órgãos seja legal. “A minha primeira propriedade é o meu corpo. Se por algum motivo quiser desfazer-me de uma parte do meu corpo, qual é o problema?”, declarou numa entrevista.

O programa político do movimento de Milei conta com propostas para “devolver a autoridade” às forças de segurança, como baixar a idade de responsabilidade criminal dos menores, e levar a cabo uma reforma também no sistema prisional.

Com longas patilhas, a cantar músicas de rock e frequentemente a usar um casaco de cabedal, o político de 52 anos é deliberadamente provocador e ataca frequentemente a esquerda em discursos repletos de insultos.

A vitória de Milei foi saudada por André Ventura, que esteve com o argentino num comício do Vox em Madrid, no final de julho. O líder do Chega afirmou, na rede social X (antigo Twitter), esperar que Milei consiga “derrotar o fantasma do socialismo”.

Caso nenhum dos candidatos consiga pelo menos 45% dos votos – ou 40% com 10 pontos percentuais de vantagem – a 22 de outubro, a Argentina terá uma segunda volta das eleições presidenciais a 19 de novembro.





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