Primeiras impressões da 3ª temporada


Subverter as expectativas. Geralmente, é na terceira temporada de uma série que os roteiristas escolhem mudar ou agitar as situações para mexer com toda a estrutura do quadro geral, como em Friends, New Girl, Cheers e tantas outras. Isso acontece quando há confiança no público, pois se acredita que já está familiarizado com os cenários e personagens estabelecidos nos dois primeiros anos. O início da terceira temporada de Only Murders in the Building, série do Star+ que lançou seus dois primeiros episódios nesta terça-feira (8), também abraça a disrupção da base da série. 

Na última vez que vimos o trio de podcasters, Oliver Putnam (Martin Short) estava prestes a fazer seu retorno triunfal aos palcos – carreira que o abandonou após o fracasso gigantesco de “Splash, Uma Sereia em Minha Vida – O Musical”. Tudo ia bem, mas como isso é Only Murders in the Building, as boas primeiras impressões nunca duram. Na estreia do que seria o retorno triunfal de Oliver, o astro da peça, Ben Glenroy (Paul Rudd), morre. Surge ensanguentado no palco e cai para trás. Sim, o mundo simplesmente não dá trégua para os três vizinhos – e eles mesmos parecem saber disso. 

Os primeiros episódios da terceira temporada de Only Murders apresentam duas linhas do tempo distintas, estrutura que deve se manter intacta até o final da temporada: em uma delas, eles optam por retroceder no tempo e nos levam ao processo de produção da peça de Oliver. Já na outra, acompanhamos o trio em seus esforços para desvendar mais um assassinato. Com isso, somos apresentados às duas novas peças desse quebra-cabeça que, novamente, abraçam a tal da subversão de expectativas.

Quando se escolhe Paul Rudd para um papel, é natural presumir que ele seja, no mínimo, um indivíduo atraente. No entanto, esta não é a situação. Ben Glenroy é um completo rude, causando atritos com todos, desde os fãs até seus colegas de elenco. Isso, infelizmente para o trio, amplia ainda mais o grupo de suspeitos em potencial.

Durante a produção do espetáculo, também somos apresentados a Loretta Durkin (interpretada por Meryl Streep, cuja última incursão na televisão foi na decepcionante segunda temporada de Big Little Lies). Loretta é uma atriz que passou anos buscando o estrelato, porém, jamais o alcançou – certamente, a última associação que faríamos quando pensamos no nome Meryl Streep.

No presente, as novas adições ao elenco servem para montar o cenário do crime da nova temporada que, apesar de não parecer, se desenrola no edifício Arconia, fazendo jus ao título da série – e francamente, com um terceiro crime em um intervalo de alguns anos, não à toa Mabel (Selena Gomez) revela que está prestes a deixar o condomínio. Claro que não é por isso que ela anuncia ao trio que está indo embora, mas sim devido à venda do apartamento de sua tia. Enquanto isso, Oliver, temendo mais um fracasso nos palcos, sofre um ataque cardíaco e é aconselhado a “ficar livre de estresses adicionais”, em meio a todo esse caos. 

De toda maneira, esses elementos provavelmente conduzirão o enredo ao longo da temporada. Agora, resta a Mabel e Charles (Steve Martin) resolverem o mais recente caso e criarem mais um episódio de podcast, com a colaboração de Oliver – enquanto este luta para garantir o seu retorno triunfal aos palcos e se manter vivo até lá. 

Embora tenha mexido um pouco na estrutura da série, Only Murders in the Building mantém-se fiel à sua essência, trazendo um assassinato, uma lista de suspeitos com comportamentos peculiares e um trio de vizinhos bem-intencionados. Tudo isso é apresentado com leveza, emoção genuína e humor afiado. A única pena é que, para que essa fórmula funcione, alguém sempre tenha que bater as botas.

Os episódios da terceira temporada de Only Murders in the Building vão ao ar todas às terças-feiras no Star+.





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